terça-feira, 18 de junho de 2013

PARA QUEM NÃO TEM NADA, A METADE É O DOBRO

Li essa frase num pára-choques de caminhão do filme À Beira do Caminho, e achei tão interessante e bem adequada aos dias atuais.
Somos tão possuidores de nada e acreditamos que temos tudo.
As pessoas se enchem de coisas e se esvaziam de sentimentos, e quando tem sentimentos, querem possuir o outro, se apropriar, ser donos. Isso não é amor.
O amor é um sentimento livre e isento de correntes. Quem ama liberta, mas é tão complicado deixar ir aquele ou aquela que amamos, que queremos cuidar, que queremos por escondido do mundo.
Acho que minha vida anda bem dentro do título deste "post".
Como ando num momento de reciclagem e montagem posso ter só a metade do que mais desejo e ir juntando com umas partes aqui e acolá e de repente, quem sabe?, personalizo e acho meu complemento?
A vida prega diversas peças na gente, e , às vezes, demoramos tanto para aprender, tanto para levantar após a queda.
A dor, a vergonha nos incapacita por momentos, e até acharmos o caminho de novo, ai ai como custa.
Tem pessoas que tem o dom de cair e levantar com a mesma destreza, não é meu caso. Sofro, dói, machuca. Tenho que me cicatrizar primeiro, curar as feridas, trocar os curativos....e abrir as portas aos poucos, frestinha por frestinha.
Vivo o sentimento intensamente, porque quero que quando ele vá embora, vá de uma vez, sem volta, de uma vez, e aí sim posso seguir em frente e recomeçar.
Junho é um mês lindo...pombinhos arrulhando por toda parte, o amor no ar.....
Será que está no ar mesmo ou é só uma data comercial?
Quanto sentimentos será que realmente estão fazendo parte desses casais de hoje, dos casais de ontem?
Sempre fui tão romântica, tão cheia de sonhos, tão envolvida em histórias de amor eterno.....
Doces ilusões.....hoje estou mais madura, mas não menos romântica, talvez só mais dura.....
Espero que o amor esteja no ar verdadeiramente e penetre o coração das pessoas sempre....Beijos a todos e boa reflexão


foto: site: www.tumblr.com/osvaldomontenegro

segunda-feira, 27 de maio de 2013

DIA DAS MÃES ( atrasado )

Eu sei que estou atrasada, por um acaso, atraso deveria ser meu sobrenome, mas o mês de maio é um mês dedicado há várias  festividades, sendo assim, vou aproveitar.
Sempre quis homenagear a minha mãe por todas as coisas que ela fazia por mim, mas sempre tive a impressão de que fazia tudo errado, isto só porque eu e minha mãe somos extremo opostos.
Sempre achei que ela gostava muito mais das minhas irmãs, que são mais parecidas com ela do que de mim, mas minha impressão está mudando. É que minha mãe nunca foi dada a carinhos ou arroubos de demonstrações de amor; eu sempre muito carente, me sentia excluída por conta disso.
Minhas irmãs não são tão derretidas, mas eu preciso ser regada com abraços e beijos, faz parte da minha constituição, do meu jeitinho de ser.
Meus filhos são terríveis, danados, os dois tem um gênio daqueles, mas incrivelmente dóceis, carinhosos e, creiam, cuidam de mim com todo carinho e em agradecimento. Não é bárbaro?
Temos uma relação de carinhos, beijos e abraços. Dou bronca, brigo, chamo  a atenção e às vezes acho que não me levam muito a sério, mas não quero aumentar a distância entre nós. quero poder esta ao lado deles se houver um problema, se tiverem dúvida, se precisarem de colo.
Critico muito pouco, incentivo que tenham um bom relacionamento entre eles, quando eu me for só terão um ao outro. 
Não quero que percam tempo se estranhando para depois descobrirem que perderam muito do relacionamento entre eles.
Durante minha vida de filha, nunca deixei de fazer o que achasse que fosse necessário para ajudar, sempre achando que poderia fazer mais ( quem sabe assim ela gostasse um pouco mais de mim, com meu jeito diferente de ser ), mas demorei muito para perceber que a coisa era diferente.
Minha mãe tem um jeito próprio de mostrar que gosta, e às vezes é meio complicado perceber....mas estou em paz, fiz as pazes com esse sentimento em relação à minha mãe e acho que consegui fazer meus filhotes entenderem que nem todas as pessoas amam do mesmo jeito, algumas tem um jeitinho torto de mostrar seu amor e dedicação.

Beijo enorme a todas as mães, filhas, avós e um especial a minha mãe, que eu amo muito.......











Fotos: Arquivo Pessoal

terça-feira, 7 de maio de 2013

MUDANÇAS E EU

Até que ponto podemos suportar o estresse?
Eu descobri que meu limite é alto, que a vida da gente vai nos levando até o momento que estamos a beira de um ataque de nervos.
Procuro ser compreensiva, otimista, humilde ( me vigio o tempo todo ), tratar a todos com respeito, observar ao redor, entender e encontrar soluções.
Entendo que quanto menos eu criticar maior será a possibilidade de agir, quanto mais eu tentar melhorar, mais paz de espirito eu terei, quanto mais eu prestar atenção aos meus sentimentos, saberei mais e mais sobre mim e sobre o que é importante na minha vida.
Passei por uma experiência muito interessante.
Algumas pessoas ficaram sabendo através do Facebook, outras porque eram do meu relacionamento pessoal ou que trabalhavam comigo e algumas porque tomam conta de mim de onde estiverem.
Há aproximadamente um mês tive uma crise de labirintite, algo horrível, quem já passou por isso sabe bem como é. Você perde o chão, sente uma tontura, um mal estar, um enjoo que não passa e uma pressão na cabeça e na nuca. 
Minha pressão foi medida e estava 17/13 ( o normal é 12/8 ), fui para o hospital, onde me medicaram e fizeram exames e após o resultado, como a labirintite não passava, me internaram. 
Nunca pensei em ficar internada, mas eu estava profunda e emocionalmente abalada , esgotada fisicamente e com uma sensação de "morrer na praia".
Trabalho há 22 anos no mesmo lugar, já entrei em contato com muita gente, vi um monte entrar e outro monte sair, buscar outros rumos novas experiências.
Eu fui ficando, motivos pessoais me mantiveram no trabalho e fui levando, em dado momento assumi um setor com várias atribuições, não posso negar que foi um momento importante, pois três meses depois de assumir essa nova função, me separei do pai dos meus filhos, e tive que reconciliar minha vida com todas as novidades que ela passou a ter.
Foi um período difícil, e o trabalho me ajudou pois me sugava e não deixava eu pensar em nada.....e isso era um alívio.
Uma situação não substitui a outra e eu acabei sentindo que o que me agradava antes passou a me irritar, a me desestimular. Sentia-me como um elástico bem esticado a ponto de estourar.
Tudo nessa vida é aprendizado e depois de anos de terapia e anos tentando me entender eu sabia que estava no limite, eu avisei, mas, como sou extremamente calma e jamais perdi o controle, mesmo quando a situação estava  intolerável, as pessoas achavam que não era tão grave.Percebi que meu comportamento estava se tornando agressivo, que me irritava com pequenas coisas, até com a voz das pessoas, e para arrematar, cometi um erro no trabalho e a  constatação de que a situação estava além do meu controle se consolidou: tive uma crise de choro. Chorei por 3 horas seguidas!!!!!! Eu não acreditava no que estava acontecendo.
A crise de labirintite aconteceu aproximadamente 1 mês de depois.
Essa minha estadia no hospital me fez perceber que trabalhar é bom e necessário ( afinal não sou rica ), mas que temos limites, somos humanos e quando essa máquina começa a falhar é porque já passou da hora de cuidar.
No meu retiro forçado, pensei e pensei, tirei várias conclusões, entre elas entregar o cargo que me deu autonomia e renovou minha vontade de trabalhar, mas que nesse momento estava me matando.
Tentei o melhor momento mas quando  souberam da minha intenção, tomaram todas as atitudes de forma tão rápida que fiquei boba, mas fui ouvida, e neste momento tão delicado,fui compreendida.
Eu sempre achei que tinha pessoas perto de mim, mas que elas não se incomodavam muito comigo, primeiro porque tenho um certo ar de auto suficiente, segundo porque sou muito discreta ( um milagre estar escrevendo tão abertamente assim ), mas me enganei tão redondamente que fiquei muito surpreendida, tantas pessoas me ligaram preocupadas, outras tantas ficaram surpresas, me ligaram ou brigaram por eu não ter avisado, até a espiritualidade se manifestou, me recomendando cuidado e atenção para com minhas responsabilidades reais: meus filhos e minha família.
Agora estou me cuidando: comecei a fazer alongamento, vou começar com a terapia individual, e ainda quero começar a hidroginástica.
Ainda estou soltando a panela, mas nesse momento queria ficar longe de verdade, um período para pensar, para por as ideias no lugar, ver  minha real expectativa. Afinal tenho alguns anos ainda pela frente, mas me sinto tão cansada às vezes, parece que a capacidade de lutar está bem, bem longe de mim.
Apesar de ter saído do cargo, e ter sido transferida para outro setor ainda me sinto meio apegada às responsabilidades, mas preciso desapegar e deixar de tomar conta do que não me pertence mais.
Estou me acostumando, mas é muito mais fácil me acostumar a coisa boa do que a ruim, então nesse momento estou achando muito interessante sair dentro do horário, o telefone quase não tocar, e sentir uma paz com sintoma de concentração.
Já é alguma coisa. Eu tenho certeza que vou melhorar, o tempo é o melhor remédio, e minhas atitudes também.




Bjs a todos

fotos:site: focoemgerações.com.br ( pratos equilibrados )
               compulsiva-mente.blogspot.com.br
               

terça-feira, 23 de abril de 2013

"...QUERIA QUE A VIDA FOSSE BEM MELHOR, E SERÁ, MAS ISTO NÃO IMPEDE QUE EU REPITA: É BONITA, É BONITA E É BONITA!!!!


Bem, amigos, esse fim de semana assisti "Gonzaga de pai para filho" e fiquei apaixonada pela história do cantor e do filho, e como nada passa por mim em branco, fiquei pensando como nos enganamos com as aparências.

As  pessoas não passam de caixas cheias de compartimentos secretos, alguns mais, outros menos. São segredos trancafiados em cofres com muitas e muitas senhas.

Às vezes, a tristeza, o medo da rejeição se transformam em agressividade, em distância, para tentar se proteger e não receber do ser amado o que poderia machucar ainda mais.

Outras vezes, o amor intenso é tão forte e fica calado dentro do peito, dói do mesmo jeito, sangra, fere, além de ser desperdiçado.

Eu acredito em situações "sim ou não", creio também em encarar o "não" de frente e lidar com ele da forma que der certo, mesmo que seja para curar as feridas.

Aprendi que não devemos criar expectativas em cima de ninguém, afinal quem deve concretizar os sonhos é quem sonha e não a pessoa que está de fora.

Quando tive meus filhos queria muito que viessem com saúde, e quando entraram na escola só exigia que tirassem nota suficiente para ir para a próxima série, e eles sempre me surpreendem. Para o futuro, quero que sejam pessoas de bem, que busquem e encontrem a felicidade, e que sejam profissionais satisfeitos.

Eu ando em reflexão, porque durante muitos anos trabalhei para realizar meus sonhos: fazer faculdade, obter habilitação para dirigir, comprar livros, roupas e outras coisas que satisfaziam meu ego, sem realmente gostar do trabalho. 

Atualmente gosto do que faço, mas está complexo realizar, são muitas cobranças sem possibilidade de realizações e quando a coisa sai ao contrário do que é pretendido, somos irresponsáveis.

Cobro-me diariamente para realizar todas as tarefas a mim designadas, às vezes me esquecendo que sou apenas uma, e por ser uma só devo fazer uma coisa de cada vez.

Assumir para mim que sou humana é, ao mesmo tempo, engraçado e trágico. Engraçado porque é óbvio e trágico porque a evidência está só para mim.

Descobri isso há uma semana e pouquinho, quando tive uma crise de labirintite. O estresse e a falta de opções me dominaram e me deixaram fora de combate. Porque o corpo da gente tem mil e quinhentas formas de nos avisar que CHEGA, hora de pensar em você.

Eu estou levando isso muito a sério, pois tenho duas crianças para cuidar, e mais um monte de gente que se preocupou comigo e poderia ter adoecido também de preocupação.

Até que ponto vale você se submeter a isso? Não sei. Só sinto que estou saturada, e isso pode acabar comigo, mas não vou deixar.

Quero ver meus tataranetos......

E para vocês eu digo: a única prioridade na sua vida, deve ser nós mesmos, porque  se estivermos bem, felizes, tudo ao redor estará também.

Beijos a todos.

terça-feira, 12 de março de 2013

MINHA HISTÓRIA, SUA HISTÓRIA....SERÁ?


Tantas coisas estão passando pela minha cabeça ao mesmo tempo, que tenho me sentido meio confusa com algumas situações.

São os filhos crescendo, minhas responsabilidades sendo aumentadas e uma vontade de ficar em casa pintando uma caixinha de MDF, estudando, lendo, calculando, arrumando.....

Às vezes acho que estou ficando velha ( 4.1 ), outras acho que estou só cansada mesmo, querendo um pouco de colo ( isso também é meio raro ), afinal ser forte o tempo todo tem seu preço, e outras ainda quero apenas ficar quietinha observando o tempo, bem mais minha natureza do que essa  correria louca do dia a dia.

Fico imaginando que algumas pessoas conseguem quase tudo que querem e nunca estão satisfeitas, não sei bem qual o motivo, eu, que sempre quis abraçar o mundo, estou aprendendo a ir dando um passo por vez, mas como é difícil, viu!!!! 
Minha aparente calma, é só aparente mesmo, por dentro tenho urgência de tantas coisas, que na maioria das vezes eu não consigo sair do lugar, acabo tropeçando no próprio pé.

 Enfiei na minha cabeça que quero conquistar algumas coisas e estou indo atrás, devagar, não posso negar que me irrita, mas estou indo, e duro não é ter paciência com os outros, é ter comigo, é entender minhas limitações, e direcionar meus desejos, e quem sabe assim conquistar meus sonhos?

A vida sempre me pareceu meio atribulada, as coisas acontecem numa velocidade incoerente, e é díficil correr atrás desse tempo, tão necessário e e fugaz, e ao mesmo tempo, sinto como se os meus desejos caminhassem lentamente, numa velocidade diferenciada e inferior ao que desejo.

Sou afoita e ao contrário do que imaginava, intensa. Sinto-me satisfeita quando entro de cabeça em algo e vou até o fim e, que ao final, tudo tenha saido a contento.

O campo emocional é uma parte que me deixa arredia, consigo me entregar plenamente apenas para meus filhos, afinal decepção causada por filho pode fazer parte do percurso, mas tem como ser recuperada; não confio em mais ninguém para depositar meus sentimentos, minhas esperanças; então vou cuidando de mim, aos poucos, uma hora me recupero, no entanto, nem isso me deixa infeliz, minha felicidade anda plena, brilha dentro de mim e me leva para frente, no dia a dia, e acho que isso é importante.

A vida é um aprendizado diário. São pedacinhos de quebra cabeça que surgem a todo o momento e vão contando minha história, sua história.

Cabe a nós montarmos o quebra cabeça com paciência e determinação, sem querer enfiar a peça no lugar errado, mas aceitando cada coisa no seu lugar, como deve ser.

Beijos a todos e boa reflexão.


foto: http//jardim-furta-cor.blogspot.com

sexta-feira, 8 de março de 2013

E AGORA, MARIA?

Já faz algum tempo que estamos tomando as frentes de trabalho das empresas, dividindo as atividades da vida profissional com a doméstica, e a cada dia,  respondendo por mais responsabilidades, por mais tarefas.
Nós queremos a perfeição: ótimas profissionais, filhas irrepreensíveis, mães excepcionais, esposas adoráveis e amantes sedutoras. ( Aff ! !!! ).
E damos conta? Não sei. Somos humanas, cometemos erros, falhas e tentamos dia após dia acertar, e mesmo tentando, vez por outra, erramos.
A cobrança da sociedade é fichinha perto do que esperamos de nós, e isso nos faz adoecer, perder limites, murchar; mas não desistimos porque o que mais queremos é vencer, custe o que custar.
Aprender a conviver com os erros e acertos da vida cotidiana é necessário, mas será que somos capazes de reconhecer a nossa humanidade, a nossa fragilidade, os nossos extremos?
Eu tento, mas ainda não sou capaz, minha esperança é conseguir um dia.
Certa vez, li um artigo onde a escritora desabafafa sua insatisfação em ter que assumir tantos papéis ao mesmo tempo e ainda criticava as incentivadoras do movimento feminista. Será que não seríamos mais felizes se ainda ficássemos em casa, cuidando dos filhos, do lar e com a parte mais "leve" da vida ?
Eu não conseguiria. Tenho dentro de mim  aquela vontade de descobrir, de aprender, de liberdade para realizar os meus projetos, os meus desejos.
Talvez eu seja meio radical, mas faz parte da minha personalidade, do meu jeito de encarar a vida.
Já pensei, em épocas de férias, quando a vida é mais amena, em mudar tudo: largar o trabalho e viver de artes; quase como uma "hippie"; mas sinceramente? Eu não sei por quanto tempo isso vingaria.
Gosto de dar opinião, de arrumar as coisas, de ajudar a solucionar problemas, de fazer de cada dia, um novo dia. Nem sempre o dia será bom, mas é bom quase sempre.
Bem, Marias, Joanas, Franciscas, e toda essa inifinidade de mulheres que concivem conosco reflitam: a vida é linda, e cheia de nuances; sempre teremos várias opções e cada uma delas terá a sua consequência; mas o que realmente importa é que você alcance o que mais almeja: a felicidade.

Beijos a todas e um ótimas comemorações.

Fotos: http://sinhacroche.blogspot.com.br/2012/03/dia-internacional-da-mulher.html

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

QUARESMA.......E OS FANTASMAS DA MINHA INFÂNCIA


Sou de um tempo onde a fantasia fazia parte de nossas vidas através de histórias contadas por nossos pais, avós, tios.

Lembro que meu pai adorava contar algumas histórias "verídicas" (!) sobre lobisomens, sacis, almas penadas, mulas sem cabeça, e eu muito imaginativa, ficava criando em minha mente formas e situações onde essas criaturas fantásticas estariam.

Os ambientes eram caracterizados  com muitas árvores ( em ambundância, no tempo em que meus pais eram pequenos ), e invariavelmente sem luz ( coisa rara naquele tempo ).

Uma atmosfera de medo, em  noites de lua cheia,  e o uivo dos animais que ficavam soltos pelos pastos ou cidades.

Adorávamos quando meu começava a contar sobre a vez em que ele ficou preso em uma árvore porque os sacis resolveram fazer uma convenção embaixo dela, que só acabou bem tarde, ou quando foi buscar uma bacia esquecida na beirada do rio, à noite, e uma mula que soltava fogo pelo pescoço não o deixava passar, sendo socorrido pela a avó ( minha bisavó, filha de índios e portugueses ).

Minha mãe também tem as histórias dela, mas é mais reservada, e só contava mesmo quando a gente insistia muito.

A Quaresma, de acordo com o calendário católico, e é baseado nos 40 dias que Jesus passou no deserto, em profundo contato com Deus, sendo tentando pelo Diabo, e em preparação para sua vida pública.

Para nós, crianças de algum tempo atrás, a quaresma era o período em que "as assombrações " abandonavam suas moradas e circulavam durante todo o tempo pelas ruas, para nos amendrotar ( rsrsrsrs ).

Com a cabeça lotada de fantasias e histórias, eu ia para a escola no período da manhã, ainda meio escuro, meio claro, olhando para todos os lados, com medo de dar de cara com um lobisomem querendo me morder..... ( kkkkk )

Minha vida era bem fácil, naquele tempo.

Hoje as crianças não tem o direito de ter fantasias desse tipo, primeiro porque o ambiente não ajuda ( cadê as árvores para os bichinhos se esconderem? ???) e depois porque as ameaças são bem reais: tiros, assaltos, sequestros, entre outros.....

Conto as histórias para meus filhos e eles me olham com aquela cara de " sei " (   ), mas eu acreditava piamente no meu pai e ele não ia mentir para mim....ia ? ( kkkkk) .

Eu só tenho a agradecer por ter uma infância repleta de histórias e fantasias, cheia de personagens horrorosos e sempre tendo um mocinho para que a história acabasse bem, pena que nossas crianças não tenham toda essa possibilidade....


É o progresso cobrando seu preço e o tempo nos remetendo a verdade nua e crua: éramos mais felizes e não sabíamos,,,,


Beijos a todos e boa Quaresma.